Hoje, ter um diploma universitário é fundamental para ter uma carreira promissora. Sempre tive consciência disso e estava buscando o meu. Depois de fugir da Psicologia e conquistar a tão "sonhada" vaga na Pedagogia, conseguir alcançar um dos meus objetivos: sair da universidade particular e ingressar na pública. Sem desmerecer a universidade particular, pelo amor! Sou da seguinte opinião: quem faz a universidade é o estudante. Você pode ter se formado pela federal número 1 do Brasil, mas se você não se dedicou, você dificilmente será um bom profissional. A minha escolha foi tomada pela dificuldade financeira que a universidade particular estava causando na minha família. Bom, talvez eu não tenha te contado, mas eu sou a primeira filha, neta, bisneta, afilhada e sobrinha a ingressar numa universidade federal. Era esperado que toda família estivesse em êxtase! Meus pais estavam muito orgulhosos, minha avó era a minha maior incentivadora, mas nem todos estavam confiantes que "eu conseguiria". Aliás, eu devo agradecer a quem duvidou de mim naquela época, porque toda vez que eu me sentia fraca, eu lembrava daquelas palavras e daquele olhar "você é muito nova para isso", erguia a cabeça e vencia mais um período. Comecei meus estudos e aí, querido leitor, o bicho pegou. A cada aula, a cada disciplina, a cada período, eu me via mais envolvida. Meu primeiro período foi tomado de novas descobertas, novas amizades, novas experiências. Venci muitos medos, pegava ônibus, trem, metrô! Aprendi a andar em tudo quanto era lugar no Rio de Janeiro e fui me adaptando a nova rotina de universitária. No primeiro período, tudo era festa, tudo era novidade! E não teve aquele lance de "não consigo me imaginar fazendo isso..." não! No meu segundo período, eu já estava estagiando na Prefeitura do Rio de Janeiro... Eu sabia fazer aquilo! E o melhor, modéstia a parte, eu sabia fazer aquilo muito bem! Não vou te iludir e dizer: "foi moleza!"... Foram nove períodos longos, que sugaram cada gota de sangue e suor... A faculdade era muito longe e eu passei quase cinco anos almoçando longe da minha família, saindo muito cedo de casa e chegando muito tarde, cansada e sem ânimo. O pouco tempo que restava, eu tinha que produzir: seminários, artigos, leituras, muitas leituras. Comecei a estagiar atrás de uma graninha cedo e passei por lugares incríveis, que me acrescentaram muito e me davam a certeza de que eu tinha escolhido a profissão certa. Durante dois anos, fiz o estágio não-obrigatório oferecido pela Prefeitura do Rio na 7ª CRE, me aproximando da realidade do município e enriquecendo a teoria da sala de aula. Estive em escolas muito boas, com professoras que são minhas amigas até hoje, que foram importantes para a minha formação... Aliás, tudo que vivi contribuiu para formar o meu perfil... Eu fazia estágio de manhã, ia para a faculdade a tarde e voltava a noite, cansadinha quase sempre. Como o contrato era apenas por dois anos, busquei por outro estágio no ano de 2014 e participei do meu primeiro processo seletivo. Lembro como se fosse ontem... Fui selecionada e comecei o estágio na Escola Alemã Corcovado, uma escola incrível e com excelência em Educação, uma realidade completamente diferente da anterior e que contribuiu muito para formar a profissional que eu sou hoje. Paralelo a isso, consegui o meu primeiro emprego de verdade, com carteira assinada, contratada pelo FISK como instrutora de idioma e ganhando o meu espaço como professora regente... Foram tantas experiências, tanta coisa boa... Posso dizer que 2012 a 2014 foi o meu período de amadurecimento, em que eu vivia somente para a minha carreira... Tinha a minha faculdade, meus estágios, meu emprego, meu trabalho com a Catequese... A cada semestre, era uma vitória, uma comemoração por estar cada vez mais perto do fim. No final de 2014, tomei a decisão de sair do estágio e me dedicar exclusivamente a monografia, ficando com meu emprego no FISK para cobrir os gastos... E 2015 foi o ano. Com muita luta, consegui o meu diploma. Lia e produzia de manhã, tinha algumas aulas em horário integral, estava sempre na faculdade a tarde, trabalhava a noite... Foi muito choro, viu? Correria para todo lado. Prazos a cumprir. Metas a alcançar. Planejamentos, provas, trabalhos, apresentações, ufa! Mas em dezembro, encerrei meu ciclo na UNIRIO e cumpri com a grade curricular, quitando todas as disciplinas com o coeficiente de rendimento geral em 9. Tive a minha formatura no dia 11 de dezembro e compartilhei com as pessoas mais importantes nessa caminhada. Já não falo com aquela parte da família que duvidou de mim (por que será?), mas entendi que não precisava provar nada para eles. Eu estava feliz, realizada. Eu estou, acredite! Até aqui, tive uma caminhada que me dá muito orgulho e sei que agora trilharei novos caminhos... 2016, formada pela UNIRIO, com Licenciatura em Pedagogia e habilitada para trabalhar com diversas áreas que me encantaram. Não coloquei um ponto final, estou de olho nos meus próximos passos, mas confiante de que tudo dará certo... E a minha história continua! :)
Mari Professorando...
Este blog foi criado com o objetivo de compartilhar as práticas e experiências vivenciadas no campo da Educação no Estado do Rio de Janeiro.
domingo, 24 de janeiro de 2016
Quando fui escolhida pela Pedagogia...
Você já deve ter escutado alguém dizer "não fui eu que escolhi a Pedagogia, a Pedagogia que me escolheu", não é mesmo? Pode parecer clichê - e, às vezes, é mesmo! - mas a Pedagogia é uma área de escolhas. Desde o início, você é tomado por escolhas que vão te definindo, te moldando enquanto profissional na área da Educação, até que pá! A Pedagogia te escolhe. Não tem volta, não tem desculpa, não tem como fugir. Você sente cada pedaço do seu coração encantado pela Educação... Vou te contar como aconteceu comigo, só para te mostrar que a minha teoria faz sentido. Em 2010, terminei o Ensino Médio com os melhores amigos que eu poderia ter, foi um chororô para todos os lados. O que mais nos preocupávamos era que estávamos oficialmente crescidos e precisávamos tomar decisões importantes para o nosso futuro. O que eu vou ser quando crescer? Fiz o ENEM e tive uma boa nota, mas não tinha muita orientação e acabei não usando a nota no primeiro semestre de 2011. Acho que é por isso que eu faço questão de orientar todas as pessoas que eu conheço e que estão passando por essa transição escola-faculdade. Pois bem, eu terminei a escola com 17 anos e não tinha a mínima noção do que eu queria ser. Naquela época, eu já era catequista na minha paróquia e já tinha trabalhado como monitora numa casa de festas infantil, mas você acha que eu pensei em Pedagogia? Que nada! Pensei eu, "vou fazer psicologia, é uma carreira legal e deve ter emprego pra caramba!" e fui. Como disse antes, prestei vestibular mas não usei minha nota em nenhuma universidade, porque eu sinceramente não me achava capaz de disputar com outras pessoas que faziam cursinho. Com a ajuda financeira do meu pai, comecei a estudar Psicologia na Estácio, uma universidade particular bem conceituada. E eu adorava, de verdade! Não me imaginava, de jeito nenhum, atuando como psicóloga. Talvez, como psicóloga numa escola. Eu me dava bem com as crianças, poderia ajudá-las. Mas imaginar era bem complicado... Até que o curso ficou bem caro. Bem caro mesmo. Meu pai nunca me pediu para trancar ou sair, mas era notório que ele estava se apertando para pagar cada uma das mensalidades... O segundo semestre estava se aproximando e o SiSu abriu novamente. Comecei a pesquisar aqui e ali, perguntei muita coisa para muitas pessoas e tomei uma decisão: eu iria ingressar numa universidade pública. Fiquei em dúvida quanto ao curso, acho que parte de mim já sabia que eu não me enxergava atuando como psicóloga... Pensei em Enfermagem (porque na época, eu tinha começado um curso técnico de enfermagem para ver se eu conseguia me encantar por outra área, mas não deu muito certo quando começamos a trabalhar com pessoas e agulhas). Pensei em Letras, eu gostava de Português e tinha acabado de terminar o curso de Inglês no FISK. Aí, caiu a ficha. Já que é para ser professor, quero ser professora dos pequetitos. Cadê o curso que faz isso, Brasil? Aí, eu me deparei com a Pedagogia. E fui, com a cara e a coragem, me inscrever no tal curso. UNIRIO. Turno Vespertino. 40 vagas. Lembre-se que você precisa ficar de olho nas próximas chamadas. Vai dar certo, tem que dar. Não contei para ninguém, só uma amiga sabia. Me inscrevi. A nota de corte ainda estava mais baixa que a minha. Marquei o dia do resultado no calendário e programei o despertador para o horário que o SiSu abria. No dia 22 de junho, estava lá. 23º colocada. A vaga era minha. Todos estavam dormindo aqui em casa. Tive que conter a minha ansiedade para esperá-los acordar e contar a novidade. Meu pai irradiava alegria. Ligou para minha avó, para o meu tio, contou para todos os clientes. Minha mãe quase infartou. Urca é muito longe! Como você vai para lá? Sozinha? O trem é perigoso! Coisas de mãe... Visitei a universidade três vezes antes de começar oficialmente a estudar lá. Minha vó e minha mãe foram comigo, inclusive no dia da apresentação dos documentos. Aquilo era um alívio. E a história só estava começando...


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